Essa deve ter sido uma das primeiras crônicas que vi pela internet e nunca me esqueci por conta de sua perfeita descrição do que é a dor no ovo. A descrição é tão bem feita que você acaba o texto com as duas mãos no meio das pernas protegendo seus dois preciosos grãos!
Segundo esse blog aqui (de onde re-encontrei a crônica), a mesma é de autoria de José Teles, um jornalista de Pernambuco!
Vá o sujeito perguntar a uma mulher qual a maior dor que o ser humano já sentiu ou sentirá e a resposta será inevitável: a dor do parto. Tá se vendo que mulher nunca levou um chute no ovo, o que é natural, pois não os tem. Aliás nem precisa um chute. Basta um mero peteleco no bicho. Peteleco, pra quem não sabe, é um pequeno golpe dado com o indicador e o polegar. Não há dor comparável ao peteleco no ovo. Já o chute, o dito cujo nem é dor, é uma tragédia, coisa pra um Mengele, um Fleury, um Pol Pot.
Quer dizer então que a dor do parto não dói ? Retorquiria, furibunda, a feminista, ameaçando uma passeata e um abaixo-assinado contra o cronista. Claro que dói. Mas é uma dor que de modo algum poderia ser comparada à do ovo. Ter um filho, dizia Miranda, um amigo meu, é, mal comparando, como cagar um coco. Dói mas passa rapidamente e logo a parturiente é inundada pela intensa e prazerosa alegria da maternidade.
Na dor do ovo não tem este negócio de alegria depois não. A bem da verdade a dor do ovo nem é dor, mas um complexo doloso. A dor do ovo é uma dor tenebrante que, segundo o Aurélio, é aquela cuja sensação compara-se a uma verruma penetrando o corpo do indivÃduo (disso você entende, batata!).
Pro mulherio que deveria dar graças aos Céus por ter nascido sem a chamada bolsa escrotal, que jamais será atingido no que têm de mais frágil, vou tentar explicar a dor do ovo.
Ao tomar o golpe, a vÃtima sente a primeira fase da dor; uma sensação lancinante. O Aurélio a definiria como dor fulgurante, ou seja, intensa e rápida, mais ou menos o equivalente a um pequeno enfarte do miocárdio. Em seguida parte-se para a fase dois. A dor sobe do ovo para o pé da barriga. O suor aflora à testa. Sensação de uma diarréia braba, que apenas se insinua, mas incomoda. Enquanto isto o ovo propriamente dito continua a doer. Seu latejar faz contraponto com a dor itinerante que se originou do
local.Dá-se então a terceira fase. A dor sobe mais um pouco. Aà o sujeito não consegue se sustentar nas pernas. Começa a paralisia, assim como se houvesse sido picado por uma cascavel. A impotência generalizada se apossa do organismo, quando então, não raramente, você termina caindo com os joelhos dobrados, e aquela sensação de estar com uma jaca entre as pernas, puxando o seu couro para baixo.
A respiração torna-se difÃcil. A morte parece aproximar-se. Assim como num afogamento, enquanto sofre a dor do ovo, o acidentado vê toda sua vida passar, num átimo, diante dos seus olhos, já embebidos de lágrimas, estufados que ficam. Ela é amainada horas mais tarde, mas ficam seqüelas, não apenas fÃsicas quanto emocionais. É muito comum o atingido no ovo, acordar no meio da
noite, suando em bicas, as mãos nas partes, não raro gritando.Pois é, minhas jovens, dor é esta, o resto se cura com simpatias e comprimidos, a dor do ovo nem com coisa feita ou análise lacaniana
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Danilo Ferreira em 7/ out/ 2008
Prefiro um chute nos bagos à dor de pedra no rim.
Patrick em 7/ out/ 2008
idem ao danilo ferreira
nao existe dor pior, nao desejo nem pra um inimigo.
Natã em 7/ out/ 2008
bom caras nunca senti isso espero não sentir, mas meu irmão um maluc na escola ano passado levou chute de BRINCADEIRA da amiga e teve algo como um ataque epilético cara sem sacanagem, tiveram que carregar o cara que não parava de tremer, ai dá pra ter uma idéia
mijon em 9/ out/ 2008
espasmo muscular pode durar até uma noite inteira e vç sofre acordado um bom chute nas batatas vc desmaia
marco em 17/ out/ 2008
quando fazia tae kwon do, uma guria me acertou nos ovos.
confesso que foi a pior coisa que ja me aconteceu, nem quebrar o braço foi tão dolorido.
suei frio, senti essa sensação na barriga, veio uma tremedeira e a sensação de que o chão era meu melhor amigo, não queria nem me mexer, por achar que iria piorar minha situação.
meu mestre, queria pq queria fazer aquela frescura que dizem melhorar, ficar de barriga pra cima e dobrar as pernas em direção ao peito, manobra que não ajuda em nada e até piora, pq na posição de feto, tava quietinho, respirando e tentando sobreviver ao acontecido.
bom, sobrevivi, mas ficaram sequelas.
não posso nem lembrar que ja começo a suar frio.
exageros a parte, doi demais mesmo =)
Rodrigo Cacilhas em 21/ out/ 2008
Já tomei chute, soco, bolada e até a maldita petelecada no saco (esta última de longe é a mais dolorosa… nos outros casos as endorfinas ajudam), e realmente é uma dor indescritÃvel.
Mas a pior dor que já senti, muito, MUITO pior do que qualquer pancada no saco, foi depois de ter quebrado o antebraço…
Chegando ao hospital, meu rádio estava quebrado, mas meu cúbito não, e o cúbito não deixava encaixar as partes do rádio no lugar certo, então o médico resolveu quebrar meu cúbito para colocar os dois ossos no lugar e engessar, mas com um detalhe: não havia no PS um anestesista de plantão… foi tudo feito a seco, com cinco enfermeiros em cima de mim a me segurar.
O médico disse que não sabe como eu não desmaiei, tamanha a dor. Pra terem uma ideia, nem gritar eu conseguia… simplesmente não saÃa.
[]’s
Cacilhas, La Batalema